O Molusco Contagioso

Publicado por Yulia Lesechko em
O Molusco Contagioso

A doença causada pelo Molusco Contagioso é atribuída muitas vezes, erradamente, a um molusco, mas na realidade é uma infeção cutânea causada por um vírus, o Molluscipoxvirus.

O vírus do molusco contagioso é envelopado e pertencente ao grupo Poxvírus.

Fotografia microscópica de um Poxvírus

Como se manifesta esta infeção?

Manifesta-se pelo aparecimento localizado de várias pápulas rosadas arredondadas de 4 a 5 mm. 

Nas crianças, estas lesões aparecem maioritariamente na cara, pescoço, axilas, braços e parte superior das mãos. Nos adultos, é frequente aparecerem na parte inferior do abdómen, nos órgãos genitais e entre as pernas.

Estas lesões não costumam doer ou dar comichão.

Caso o doente coce, vai espalhar a infeção por outras zonas do corpo, além de poder infetar outras pessoas.

Imagens de pápulas derivadas à infeção por molusco contagioso

Como é que se dá o contágio?

Dá-se pessoa a pessoa, pela via sexual e por contacto com objetos contaminados, como toalhas, lençóis, brinquedos, material didático, e em ambientes húmidos como balneários e piscinas o contágio é mais fácil.

Ao romper as lesões devido ao atrito causado, ao coçar, ao esfregar o corpo numa toalha, ao barbear e depilar, o vírus liberta-se e pode contaminar outras partes do corpo, ou outras pessoas.

Não há transmissão por via aérea, como tosse ou espirro, já que o vírus só é viável na epiderme.

Qual o período de incubação do vírus?

O tempo de incubação é de duas a seis semanas.

É uma doença grave?

Normalmente não, mas o período de recuperação pode levar vários meses e mesmo mais de um ano. Há até relatos de infeções com duração superior a dois anos, até à cura total.

Após a recuperação, a cicatrização pode deixar umas pequenas manchas, mas normalmente a cura é total, não ficando quaisquer marcas visíveis.

No caso de doentes imunodeprimidos ou com HIV, a infeção pode invadir uma maior área do corpo.

As únicas complicações conhecidas são, infeções resultantes de se coçarem as lesões com as unhas e se abrirem feridas que permitem a entrada de bactérias.

Tem tratamento?

Tem, mas normalmente não há necessidade de tratamento, pois não havendo comichão, a doença não incomoda e cura-se com o tempo.

Havendo comichão, existem técnicas de destruição das lesões, por frio, raspagem e métodos químicos, que só devem ser efetuadas por médicos especialistas em dermatologia.

Durante o processo de cura, o doente deve evitar mexer nas lesões, partilhar objetos, ter contacto físico com outros, e ter as lesões expostas.

A lavagem frequente das mãos é também muito importante. Na impossibilidade da lavagem das mãos, o uso de um antissético de base álcool evita a proliferação da infeção.

Prevenção

Em espaços públicos, como os ginásios, piscinas, escolas, balneários, casas de banho, entre outros, deve haver um cuidado especial com a higiene e a desinfeção de superfícies, assim como com o material pedagógico, e devem ser disponibilizados meios para que toda a população possa lavar convenientemente as mãos.

Nas piscinas de uso público, o risco é maior, uma vez que temos o corpo mais desprotegido e pode ser difícil evitar contactos físicos entre utentes.

O material pedagógico e de treino usado em piscinas deve ser alvo de uma cuidada e frequente desinfeção.

Conclusão

A doença do Molusco Contagioso é causada por um vírus. Não sendo uma doença grave, é todavia uma doença que se pode tornar incomodativa e desagradável, já que pode afetar a nossa estética e bem-estar, e tem uma duração prolongada. É tratável, e a sua prevenção passa por uma boa higiene das mãos e das superfícies com que contactamos.


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